Segundo a fonte, os dois suspeitos insurgentes foram abatidos por domingo na zona de produção de Naneve, pertencente a aldeia de Nangunde, no distrito de Muidumbe, surpreendidos numa emboscada.
A Força Local integra voluntários paramilitares, incluindo antigos combatentes da luta de libertação nacional e descendentes, organizados a nível comunitário para apoiar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.
Além dos dois mortos neste ataque, um terceiro elemento ficou ferido, mas acabou por se colocar em fuga com o apoio de outros insurgentes.
"Ferimos um, mas que não conseguimos capturar", disse a fonte.
Garantiu ainda que toda a zona baixa das aldeias Nangunde, Ntchinga e Namacande está sob patrulha da Força Local, e outras forças estatais, para devolver o sossego das comunidades.
Há duas semanas, quatro civis foram mortos por supostos terroristas na zona de Naneve, em Nangunde, ataque que motivou a fuga dos produtores agrícolas da região, por recearem mais mortes.
Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.
Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.
A conclusão consta do relatório "Moçambique: O custo da inação", divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), noticiado este mês pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, "nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025", incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
"Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos", refere a ONU.
Foto: depositphotos
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