Zaida Freitas, Presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente - Violência familiar, dependências e negligência continuam a empurrar crianças para a rua

Onze crianças viviam na rua em Cabo Verde no ano passado. Cerca de 200 circulavam nas vias públicas todos os dias, sem supervisão e sem protecção. São números que ilustram um fenómeno ainda preocupante, para o qual não há respostas fáceis, e que o ICCA quis colocar em destaque este ano. “Criança não é de rua” foi, aliás, o lema da Marcha do Dia da Criança, este 1 de Junho. Este fenómeno é apenas uma das várias preocupações que a presidente do ICCA, Zaida Freitas, aborda nesta entrevista ao Expresso das Ilhas. Da violência sexual à mudança de mentalidades, da responsabilidade parental à necessidade de uma política mais holística de protecção, a responsável traça o retrato dos principais desafios da infância no país. Fala ainda do novo Estatuto da Criança e do Adolescente, que considera um avanço significativo, mas cuja implementação levanta desafios exigentes. Como sublinha, “nenhuma lei, por melhor que seja, transforma a realidade.”

Nem fase, nem mania: o que está por trás da recusa alimentar infantil?

Sheilla Ribeiro

O momento da refeição, tradicionalmente associado ao convívio familiar e ao cuidado, pode transformar-se num cenário diário de ansiedade, desgaste emocional e preocupação quando a criança apresenta dificuldades persistentes com a alimentação. Choros, recusas constantes, vómitos, medo de comer, refeições demoradas e uma alimentação extremamente limitada fazem parte da realidade de muitas famílias que convivem com o Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP), uma condição ainda pouco reconhecida, mas com impactos tanto no crescimento e no desenvolvimento, como na saúde emocional das crianças.

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