A intenção foi manifestada durante uma acção de demolição realizada no bairro de Jamaica, na cidade da Praia, que marcou o avanço do programa Casa Para Todos - Nova Geração Barraca Zerom destinado ao realojamento de pessoas que vivem em habitações precárias na capital.
Promovida pelo Ministério das Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território, a iniciativa envolve o realojamento das famílias em habitações sociais localizadas em Achada Limpo e Palmarejo Grande.
Segundo Carlos Tavares, a iniciativa é um passo no cumprimento do direito à habitação condigna e adiantou que a intervenção envolve também o Ministério da Família e a Câmara Municipal da Praia.
“Com o realojamento de cem pessoas eliminamos o que chamamos de barraca na cidade da Praia”, afirmou Carlos Tavares, acrescentando que, através do levantamento realizado, foram identificadas cerca cem barracas na capital.
A intenção é durante o mandato, segundo o ministro, eliminar as cerca de 2.500 barracas existentes em Cabo Verde, estimadas nas quatro ilhas abrangidas pela intervenção, nomeadamente Santiago, São Vicente, Sal e Boa Vista.
Para a cidade da Praia, a operação representa, conforme Carlos Tavares, “um passo decisivo” na eliminação das habitações precárias e das situações de indignidade habitacional.
O processo, acrescentou, é conduzido através do diálogo e da sensibilização, sobretudo perante casos de resistência à mudança.
“Não vamos deixar nenhum cidadão desamparado (…) não vamos tirar nenhum cidadão das suas habitações sem oferecer alternativa digna”, assegurou.
O governante indicou que o principal critério para o realojamento foi a permanência das pessoas em barracas, independentemente da sua condição social.
No âmbito do projecto-piloto, estão disponíveis cerca de 100 alojamentos para acolher as pessoas identificadas no levantamento.
As novas habitações sociais disponibilizadas têm dois quartos, sala, cozinha e casa de banho, proporcionando condições habitacionais diferentes das encontradas nas barracas.
Entre os beneficiários está Rogério Fernandes, 38 anos, que viveu durante 15 anos numa barraca antes de ser realojada.
“Tempo de chuva era muita lama, às vezes caía água e tinha que colocar plástico”, relatou, ao recordar as condições que enfrentava na antiga habitação.
Fernandes disse sentir-se satisfeito com a mudança para a nova habitação, embora reconheça as dificuldades que enfrentava.
O programa Barraca Zero prevê a continuidade das intervenções nas ilhas abrangidas, com o propósito de substituir progressivamente as habitações precárias por soluções habitacionais consideradas adequadas pelo Governo.
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