A decisão foi tomada na reunião da Direcção Nacional do partido, realizada no dia 29 de Agosto.
Segundo um comunicado divulgado pelo MpD, a reunião teve como único ponto da ordem do dia a análise e decisão em relação ao apoio do partido à candidatura presidencial nas próximas eleições e decidiu-se, por uma maioria de 85% dos seus membros, apoiar a candidatura da Joana Gomes Rosa.
Entretanto, após algumas reações, o partido veio a esclarecer na segunda-feira, 31, que participaram na reunião 58 militantes, mas apenas 43 tinham direito a voto.
De acordo com o MpD, a reunião teve uma duração aproximada de quatro horas e 30 minutos, tendo quatro dos dirigentes com direito a voto abandonado os trabalhos antes do término. Assim, a decisão acabou por ser tomada por 39 dirigentes, através de voto secreto.
O MpD, contudo, justificou que antes da votação foram apresentadas aos dirigentes nacionais três alternativas relativamente à posição do partido nas próximas eleições presidenciais.
A primeira passava por adiar a decisão de apoio para um momento considerado mais conveniente. A segunda consistia em não apoiar nenhum dos três candidatos, reconhecendo o mérito das respectivas candidaturas e defendendo a liberdade de voto como solução, pelo menos numa primeira volta, tendo em conta os perfis políticos dos candidatos.
A terceira alternativa era escolher uma das candidaturas para receber o apoio do partido.
Herménio Fernandes considera apoio do MpD sábia e oportuna
Em declarações ao Expresso das Ilhas, o candidato à presidência do partido, Herménio Fernandes, considerou a decisão da Direcção Nacional sábia e oportuna, por considerar a ex-ministra da Justiça uma candidata forte e preparada para disputar e vencer as eleições presidenciais.
“Estamos a falar de uma candidata que tem o seu perfil para o cargo. Foi uma das ministras, um dos membros do Governo da última legislatura do MpD, um dos rostos mais proeminentes, tem experiência política alargada, porque já foi deputada, já foi líder parlamentar, é dirigente do MpD com mais de 20 anos de dirigismo no partido”, afirmou.
Para Herménio Fernandes, o apoio do MpD à antiga ministra constitui uma escolha natural e descreveu Joana Rosa como uma democrata, uma jurista preparada, conhecedora da Constituição da República e pronta para ir à luta e ganhar.
Para Paulo Veiga, decisão sobre apoio presidencial deveria caber à nova liderança
Na passada sexta-feira, 28, antes do anúncio oficial do apoio, em declarações à RCV, o também candidato à presidência do MpD, Paulo Veiga, defendeu que o partido deveria aguardar pelas eleições internas antes de decidir sobre o apoio a uma candidatura presidencial apesar da legitimidade para tomar a decisão.
“Todas as candidaturas à Presidência da República merecem o meu respeito, até porque estamos perante uma eleição de natureza pessoal. O que me compete comentar é a posição do MpD. A actual Direção Nacional tem legitimidade para exercer as suas funções, mas, a seis dias da eleição de uma nova liderança, parece-me uma questão de bom senso político aguardar pelo resultado das eleições internas”, disse.
Paulo Veiga afirmou ainda que, caso for eleito presidente do MpD, respeitaria a decisão da estrutura partidária relativamente ao candidato presidencial a apoiar.
O Expresso das Ilhas tentou uma reação do também candidato à presidência do partido, Luís Filipe Tavares, mas, até ao fecho desta edição não obteve qualquer resposta.
De referir também que a eleição para a liderança do partido acontece no dia 6 de Setembro. A decisão é feita pela maioria simples, sem segunda volta, sendo eleito o candidato mais votado.
Joana Rosa prepara nova fase da candidatura presidencial
Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, 31, Joana Rosa afirmou que prepara uma nova fase da sua candidatura presidencial, com a apresentação, nos próximos dias, da direcção da campanha e do mandatário ou mandatária.
A candidata anunciou ainda a apresentação de uma plataforma eleitoral construída a partir dos contributos recolhidos nas ilhas e na auscultação de diferentes sectores da sociedade.
“Nos próximos dias vamos anunciar aquilo que é a direcção da nossa campanha, já está formada e já a trabalhar”, informou.
Apesar do apoio do MpD, Joana Rosa assegurou que a candidatura é independente e nasce da sociedade civil.
“Esta é uma candidatura que nasce da sociedade civil. É uma candidatura que não pertence a um partido”, afirmou.
Entre as principais linhas da sua proposta, indicou a defesa do equilíbrio entre os poderes, da independência das instituições e de uma presidência de proximidade, assente na escuta e no diálogo com os cidadãos.
Joana Rosa defendeu ainda que o Presidente da República deve ser suprapartidário e capaz de construir pontes entre os partidos.
O prazo para a entrega dos processos de candidatura às presidenciais termina no dia 16 de Setembro. A campanha eleitoral está prevista para decorrer de 29 de Outubro a 13 de Novembro.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1292 de 02 de Setembro de 2026.
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