Ébola: Médico que testou positivo internado em hospital de Londres

PorExpresso das Ilhas, Lusa,6 nov 2026 8:14

Um médico britânico que trabalhava no combate à epidemia de ébola na RDCongo foi transportado para Londres para tratamento, disse o governo do Reino Unido.

Um médico britânico que trabalhava no combate à epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) foi transportado na quinta-feira para um hospital em Londres para receber tratamento contra o vírus, adiantou o governo do Reino Unido.

Este é o primeiro paciente britânico a ser retirado durante o atual surto do vírus, que é letal, e a terceira pessoa a regressar à Europa depois de ter testado positivo para a doença.

O médico foi transportado para o Reino Unido através de uma operação de evacuação médica organizada pelos governos do Reino Unido e da RDCongo, em parceria com organizações internacionais de saúde.

Foi encaminhado para o Royal Free Hospital, em Londres, que dispõe de uma unidade de isolamento de alto nível, a mesma utilizada para tratar doentes durante o surto de ébola na África Ocidental, entre 2014 e 2015.

Renu Bindra, da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UK Health Security Agency, em inglês), explicou que estão em vigor protocolos rigorosos de prevenção e controlo de infeções e que o risco para a população em geral é baixo.

Em junho, a França confirmou um caso que envolvia um médico, que já recuperou, que tinha regressado de uma missão humanitária na RDCongo.

No mês passado, uma cidadã suíça, que terá contraído o vírus no Uganda, foi levada para Genebra para tratamento, enquanto o seu marido, diplomata, permaneceu em isolamento em Zurique.

A doença, que se está a espalhar por algumas das províncias mais remotas da RDCongo, infetou 10.600 pessoas, das quais mais de 5.100 morreram.

O surto atingiu 67 zonas de saúde em oito províncias, um aumento significativo em relação às três zonas registadas quando a epidemia foi declarada, em maio.

"A infeção de um profissional de saúde britânico pelo ébola é extremamente preocupante, mas não chega a ser totalmente inesperada", realçou Damien Tully, especialista em doenças infecciosas da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

"Os profissionais de saúde estão na linha da frente destes surtos, tratando frequentemente doentes em estado grave sob condições extremamente desafiantes. Mesmo com medidas de proteção rigorosas, podem ocorrer exposições acidentais", acrescentou.

Mais de 5.100 morreram devido à atual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), onde já foram registados perto de 10.500 casos de infeção pelo vírus, de acordo com dados atualizados esta semana pelas autoridades.

A taxa de mortalidade fixa-se em 48,8%, nesta nação vizinha de Angola.

Além disso, o instituto apontou que, neste momento, existem 980 pacientes hospitalizados ou em isolamento, enquanto 2.824 pessoas recuperaram da doença e já receberam alta hospitalar.

Por sua vez, a taxa de acompanhamento de contactos é de 86,6%.

A epidemia na RDCongo é já a mais mortífera da história do país, superando o registado entre 2018 e 2020, e as projeções apontam para que possa vir a superar o registado entre 2014 e 2016 na África Ocidental, que deixou 28.616 casos e 11.325 mortos na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nas últimas semanas foram também confirmados casos no Quénia e na Nigéria - declarada livre após enviar para a Suíça a única paciente - vinculados à situação na RDCongo, depois de o Uganda ter anunciado, a 28 de julho, que estava livre do vírus após dois mortos e 20 casos.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,6 nov 2026 8:14

Editado porAndre Amaral  em  6 nov 2026 14:18

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