A obra traz a memória do médico-cirurgião que salvou a vida de muitas pessoas na ilha durante a fome que assolou o país. Adriano Miranda Lima contou ao Expresso das Ilhas, numa entrevista por telefone, que começou a escrever o livro em 2016 e que este foi editado em 2019. “Primeiro escrevi um texto online, depois fui acrescentando aquilo que era fruto da minha pesquisa por volta de 2016. O livro foi editado em 2019”.
E foi por causa da Covid-19 que não o tinha apresentado antes. “A Covid estragou tudo, porque deixou de ser permitida a junção de pessoas em espaço público. Depois, vivo fora de Cabo Verde e a ocasião não se proporcionou. E agora, finalmente, vamos fazer a apresentação”.
Segundo o autor, o livro está dividido em duas partes. A primeira parte reúne a pesquisa e os documentos que recolheu, e a segunda resulta do contacto que teve com os descendentes de Baptista de Sousa, nomeadamente com a filha mais velha.
Adriano Miranda Lima disse ter ficado muito impressionado com a conduta do doutor José Baptista de Sousa. “Com a minha pesquisa, fiquei tão impressionado com a conduta do doutor Baptista de Sousa, por ele ter salvado muitas pessoas da morte, tanto militares como civis. Tudo isso é digno de ser conhecido e divulgado, porque haverá muitas pessoas que não sabem quem foi Baptista de Sousa”.
Adriano Miranda Lima sublinha que o doutor Baptista de Sousa morreu aos 67 anos de idade, de uma doença degenerativa do foro neurológico. Uma das razões que o levaram a escrever sobre o médico foi o facto de nunca ninguém ter escrito um livro sobre ele. “Nunca ninguém tinha escrito um livro sobre Baptista de Sousa, de tal modo com a idade que tinha. Quando comecei a escrever, não tinha nenhum conhecimento objectivo sobre essa figura pública”.
José Baptista de Sousa nasceu em 2 de Março de 1904, na freguesia de Camões, em Lisboa. De 1922 a 1927, fez o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa. Após frequentar o respectivo curso militar, entrou para o Quadro Permanente de Oficiais Médicos do Exército, tendo sido promovido a alferes em 1929.
Foi, em seguida, colocado em unidades do Exército e, depois, na Guarda Nacional Republicana, onde serviu de 1936 a 1942. Entretanto, concorreu ao internato de Cirurgia dos Hospitais Civis de Lisboa e fez o concurso para cirurgião dos mesmos hospitais. Foi igualmente assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa, ao mesmo tempo que frequentava o internato de cirurgia nos Hospitais Civis de Lisboa, tudo isso em acumulação com as suas funções militares.
O Capitão-Médico Dr. Baptista de Sousa viveu em São Vicente (1942–1944) uma das fases mais marcantes da sua vida pessoal e profissional, durante a qual deve ter encontrado o verdadeiro significado da carreira que abraçou e a sublimação dos altos valores humanos que eram parte integrante do seu ser.
“Ele foi o médico-cirurgião dos militares, mas foi-o também dos civis, movido pelo seu impulso natural de pôr a sua ciência médica indiscriminadamente ao serviço de quem dela precisava”, relata.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1297 de 07 de Outubro de 2026.
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